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Lua Encélado

 
Enceladus from Voyager.jpg
Satélite Saturno II
Características orbitais
Semieixo maior237 948 km
Excentricidade0,0045
Período orbital1,370218 d
Velocidade orbital média12,64 km/s
Inclinação0,019°
Características físicas
Diâmetro equatorial504,2 km
Área da superfície800.000 km²
Massa1,08×1020 kg
Densidade média1,61 g/cm³
Gravidade equatorial0,012 g
Dia sideral1 d 8 h 53 min 7 s (rotação síncrona)
Velocidade de escape0,241 km/s
Albedo1,375 ± 0,008 (geométrico)
0,99 (bond)
Temperaturamédia: -198 ºC
-240,3 ºC min -128 ºC max
Composição da Atmosfera
Pressão atmosféricaVestígios; assimétrica
Vapor de água
Hidrogênio molecular
Outros (CO2, CO, N2)
65%
20%
15%

Encélado é um satélite natural do Planeta Saturno, tendo um diâmetro de 498,8 km e com um período orbital de 1,37 dias. O seu nome é homenagem a um titã da mitologia grega, derrotado em uma batalha e sepultado sob o vulcão Etna pela deusa Atena.

Em junho de 2009 pesquisadores europeus confirmaram a existência de um oceano de água salgada sob a calota de gelo em seu polo sul.

História de observação e exploração

Encélado foi descoberto pelo astrônomo inglês William Herschel no dia 28 de Agosto de 1789.

As primeiras imagens feitas a partir de sondas em visita foram tiradas pelas duas sondas Voyager. A Voyager 1 apenas observou a lua de longe em dezembro de 1980, a Voyager 2, em agosto de 1981, conseguiu tirar imagens de muito melhor resolução, revelando uma superfície jovem e uma complexidade geológica inesperada.

Para que se desvendassem alguns dos segredos de Encélado foi necessário esperar mais de vinte anos. No dia 30 de Junho de 2004, a sonda Cassini chegou ao Planeta Saturno para revelar os segredos do planeta, dos anéis e das suas luas.

Pelas imagens surpreendentes da Voyager 2, Encélado foi considerado uma prioridade, e foram planejados vários sobrevoos a 1500 km da superfície e outras oportunidades de visionamento a 100 mil quilômetros de Encélado. Até hoje, foram feitos três encontros com Encélado, que desvendaram mais segredos sobre esta lua; um dos mais surpreendentes foi a descoberta de fontes de vapor de água em seu polo sul, uma zona geologicamente ativa.

Na primavera de 2008, a sonda Cassini visitou novamente este pequeno mundo a apenas 350 km de distância. Os cientistas da missão colocam Encélado ao lado de Titã como uma das prioridades futuras, afirmando alguns deles que Saturno deu-nos dois mundos excitantes para explorar.

Geologia planetária

A geologia de Encélado é complexa, incluindo falhas na superfície, dobras e tênues crateras. A lua passou por atividade geológica nos últimos quatro milhões de anos até ao presente.

Estudos feitos com recurso de imagens obtidas pela sonda Voyager 2 mostraram que Encélado possui pelo menos cinco tipos diferentes de terreno, incluindo várias regiões de terreno crivado, terreno plano recente e faixas de terreno acidentado. Foram ainda observadas fissuras lineares de dimensão considerável. Dada a relativa falta de crateras nas planícies, estas regiões têm, provavelmente, menos de 100 milhões de anos. Desta forma, Encélado deve ter tido atividade recentemente com recurso a "vulcanismo de água" ou outros processos que renovam a superfície. O gelo novo e limpo que domina a sua superfície torna Encélado o corpo celeste do sistema solar com maior albedo (uma medida relativa da quantidade de luz refletida) (0,99).

As observações feitas nos três encontros da sonda Cassini com Encélado em 17 de Fevereiro, 14 de Março e 14 de Julho de 2005 mostraram a superfície em maior detalhe que a Voyager 2. Nomeadamente, as planícies lisas observadas pela Voyager 2 foram vistas pela Cassini como regiões livres de crateras e com vários pequenos cumes e escarpas. Muitas fraturas foram encontradas dentro do terreno crivado, sugerindo uma deformação considerável desde a formação das crateras. Finalmente, várias regiões adicionais de terreno jovem foram descobertas em áreas que não tinham sido fotografadas, principalmente o terreno bizarro encontrado na região do polo Sul.

Imagens de alta resolução da sonda Cassini mostram jatos gelados e plumas em torre ejetando grandes quantidades de partículas a alta velocidade. Estes jatos provêm de bolsas de água (acima de 0 graus centígrados) próximas à superfície. Assim, Encélado foi adicionado à lista de mundos conhecidos com uma forma de vulcanismo ativo.

Nas condições próximas do vácuo da superfície, essa água dissipar-se-ia no espaço. Análises feitas dos jatos e plumas indicam que a maioria das partículas acabam caindo de novo na superfície, dando ao polo sul um aspecto extremamente brilhante, local que deverá ser o único, na lua, onde a água existe mais próxima da superfície. As partículas que conseguem escapar à gravidade de Encélado acabam por entrar na órbita de Saturno, formando o anel E.

Algumas características geológicas no hemisfério sul indicam que existem alterações na forma do lua ao longo do tempo. Acredita-se que podem estar relacionadas com aquecimento interno intenso no passado, o que, por último, explicaria o aquecimento anômalo e a atividade na região polar sul.

Atmosfera e clima

Tendo em vista que Encélado reflete praticamente toda a luz que recebe do Sol, a temperatura média em sua superfície é de -198 °C, mais frio que as outras luas de Saturno. A atmosfera é uma fina cobertura composta por vapor de água, e sua maior concentração no polo sul se deve à atividade geológica na região, que é a mais quente do satélite, com -163 °C. As listas de tigre também estão associadas à condução dos gases atmosféricos por toda a superfície do satélite. Considerando a baixa gravidade desse pequeno satélite, a atmosfera se deve exclusivamente aos vapores que saem de seu interior, uma vez que Encélado a perde constantemente para o espaço; portanto, há produção e perda constante de gases atmosféricos. Nessa atividade, as partículas que Encélado emite abastecem o mais externo dos anéis de Saturno.

Vida em Encélado

A sonda Cassini parece ter encontrado provas da existência de reservatórios de água líquida que entra em erupção ao estilo de gêiseres (que podem atingir mais de cem metros de altitude devida à reduzida força gravítica). A existência deste tipo de atividade geológica num mundo tão pequeno e frio acrescenta significativamente o número de habitats com capacidade de sustentar organismos vivos no sistema solar.

Outras luas do sistema solar, tais como Europa ou Ganímedes, têm oceanos de água líquida por baixo de quilômetros de uma crosta gelada. No entanto, no caso de Encélado, existem bolsas de água a poucos metros da superfície.

No dia 24 de junho de 2009, cientistas britânicos e alemães das universidades de Potsdam e Leicester anunciaram a confirmação da descoberta de um oceano salgado oculto sob a superfície do polo sul do satélite. A descoberta foi baseada em estudos fornecidos através das pesquisas e fotografias realizadas pela sonda Cassini, que, em 2005, durante sobrevoo de Encélado, descobriu gêiseres de vapor e gás e pequenas partículas de gelo, contendo quantidade considerável de sais de sódio, lançadas a centenas de quilômetros no espaço.

Órbita

Órbita de Encelado - SaturnoEncélado é um dos maiores satélites interiores de Saturno. É o décimo quarto satélite quando se ordena pela distância do planeta e orbita dentro da parte mais densa do anel E, o mais externo dos anéis de Saturno, um disco extremamente amplo, mas muito difuso de material gelado ou poeira microscópica, iniciando na órbita de Mimas e terminando em algum lugar ao redor da órbita da Lua Reia.

Encélado orbita Saturno a uma distância de 238.000 km do centro do planeta e 180.000 km do topo das nuvens, entre as órbitas de Mimas e Tétis, fazendo a translação em 32,9 horas (rápido o suficiente para o seu movimento ser observado ao longo de uma única noite de observação). Atualmente tem uma ressonância orbital média de 2:01 com Dione, completando duas órbitas em Saturno para cada órbita completada por Dione. Sua ressonância ajuda a manter a excentricidade orbital de Encélado (0,0047) e fornece uma fonte de aquecimento para a atividade geológica do satélite.

Como na maioria dos maiores satélites de Saturno, Encélado gira em sincronia com seu período orbital, mantendo uma face apontada para Saturno. Ao contrário da nossa Lua, Encélado não parece fazer a libração em torno de seu eixo de rotação (mais de 1.5º). Contudo, a análise da forma de Encélado sugere que em algum momento de sua história esteve em uma libração forçada de spin-órbita secundária 1:4. Essa libração, como a ressonância com Dione, pode ter fornecido uma fonte de calor adicional.

A órbita de Encélado em torno de Saturno, em vermelho.
A órbita de Encélado em torno de Saturno, em vermelho.


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