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Telescópio: O que você precisa saber antes de comprar o seu instrumento


Normalmente, a primeira pergunta que um iniciante faz quando vai comprar um telescópio é se vai dar pra ver bem os planetas ou se conseguirá ver os anéis de Saturno. Essa típica questão apresenta uma infinidade de respostas que podem empolgar ou desestimular os mais novos e está intimamente relacionada ao grau de expectativa.

Se o objetivo do interessado é ver através do instrumento imagens semelhante àquelas captadas pelo telescópio Hubble, pode desistir nesse momento. Nenhum telescópio do mundo permite ver imagens desse tipo. Nem mesmo o próprio Hubble. Aquelas imagens maravilhosas que vemos na TV ou no Apolo11 são o fruto de meses de observação automática e captação acumulada da luz das estrelas e galáxias que após serem processadas ainda recebem cores para destacar seus detalhes.

 imagens astronômicas

Em outras palavras, se um astrônomo fosse ao espaço e olhasse através do Hubble não veria aquelas imagens.

Com os telescópios aqui na Terra ocorre a mesma coisa e muitas das maravilhosas imagens feitas nos grandes observatórios óticos não são um "instantâneo" daquele momento. São imagens obtidas após a sobreposição de milhares de momentos, que foram registrados digitalmente ou através de fotografias convencionais em chapas fotográficas.

Básico do Básico

Quando o assunto é telescópio, logo vem à mente aquele tubo longo, com um conjunto de lentes em cada extremidade, mas existem outros tipos de instrumentos.

De modo prático, quanto maior o diâmetro de um telescópio, também chamado de abertura, maior será a quantidade de luz que poderá captar e também maior a será capacidade de ampliação, geralmente limitada a 2 vezes o tamanho da abertura medida em milímetros. Assim, um telescópio comum de 100 milímetros de diâmetro permite ampliar até 200 vezes. Essa é a regra.

Telescópio refletor

Se um vendedor lhe oferecer um telescópio que aumenta 600 vezes, mas a abertura é de apenas 60 milímetros, fuja dele! Esse telescópio pode ampliar corretamente no máximo 120 vezes.

Tipos de Instrumentos

Existem basicamente dois tipos de telescópios: os refratores, construídos com lentes e os refletores, que usam espelhos. Os primeiros também são chamados de lunetas e normalmente o tubo dos modelos amadores não passa de 1 metro de comprimento por 10 centímetros de diâmetro.

Os do tipo refletor (a direita) permitem maior captação de luz e por isso mesmo são mais indicados na observação do céu profundo. Devido ao custo, os modelos refletores são os mais usados pelos amadores.

A lente principal usada em um telescópio refrator (visto abaixo) é chamada de objetiva e sua construção é um processo muito caro. A construção de objetivas com mais de 300 milímetros de diâmetro esbarra em limites físicos quase intransponíveis o que encarece sobremaneira os telescópios refratores. Normalmente, telescópios desse tipo são encontrados com facilidade desde que seu diâmetro não ultrapasse 150 milímetros. A partir daí o custo sobe exponencialmente com o aumento do diâmetro.

Telescópio refratorr

Os espelhos usados nos modelos refletores, ao contrário, são bem mais fáceis de construir e devido ao menor custo permitem a montagem de telescópios médios e de grande porte.

O telescópio espacial Hubble, por exemplo, utiliza esse tipo de construção e seu espelho principal mede 2.4 metros de diâmetro.O telescópio de Monte Palomar, nos EUA, um dos maiores do mundo, tem um espelho esférico de 5 metros de diâmetro.

São comuns os telescópios amadores desse tipo, com diâmetro variando desde 100 milímetros a mais de 300 milímetros.

Fotos: No topo, nebulosa NGC 36903, registrada pelo telescópio espacial Hubble. A cena não foi obtida através de uma única exposição, mas é fruto de meses do registro da luz da mesma região do universo. Crédito: Nasa/Hubble Team. Acima, dois tipos clássicos de telescópios: o refrator, à esquerda e o refletor, à direita. Telescópios refratores são fabricados com lentes e seu custo é maior que os refletores, fabricados com espelhos.

Conheça as partes de um telescópio e sua importância na hora da compra

Abertura

Muitos iniciantes acreditam que o parâmetro mais importante a ser levado em consideração durante a escolha do telescópio é o seu poder de ampliação. E não é para menos, afinal todos querem ver os planetas bem de perto, não é mesmo?

Abertura telescópio

No entanto, ao contrário do que se pensa, o parâmetro mais importante de um telescópio é a sua abertura, que como foi explicado anteriormente se refere ao diâmetro da objetiva no caso dos refratores, ou do espelho primário no caso dos refletores. O diâmetro da objetiva ou do espelho principal tem papel decisivo na performance do telescópio, uma vez que quanto maior for seu diâmetro mais luz será captada e melhor será a definição da imagem do objeto focalizado. Ou seja: quanto maior a abertura, mais luz será captada e melhor será a imagem observada.

Ampliação

Muitos fabricantes juram de pés juntos que seus telescópios são capazes de ampliar 600 vezes ou mais e alardeiam sem nenhum constrangimento que isso é conseguido com uma objetiva de 60 milímetros.

Em teoria, qualquer telescópio pode ampliar infinitamente, apenas diminuindo o tamanho da ocular (aquele segundo jogo de lentes onde colocamos nossos olhos para ver o céu). Acontece que quanto mais ampliamos a imagem de um planeta ou objeto, mais escura ela ficará. Se apontarmos um telescópio de 60 milímetros para Júpiter (o maior planeta do sistema solar) e aplicarmos a ele 600 vezes de aumento, a imagem vista no visor (ocular) será a de uma bolota completamente irreconhecível, sem foco e sem definição, que em nada se parecerá com o gigante gasoso.

Como dissemos, existe uma regra bem simples para se determinar a maior ampliação possível de um telescópio: Multiplique por dois a abertura em milímetros. No caso de um equipamento de 60 milímetros o máximo aumento permitido será de 120 vezes. Naturalmente, essa regra pode variar de acordo com a qualidade ótica das lentes e muitos observadores experientes nem usam toda a capacidade de ampliação do instrumento. Com 50 vezes de aumento já é possível ver os anéis de Saturno, as faixas de Júpiter e suas quatro luas principais.

Turbulência

Por melhor que seja um telescópio e seu conjunto de lentes, existe um problema muito sério que afeta a observação do céu e que você vai perceber logo nas primeiras sessões: a atmosfera da Terra limita espetacularmente a visualização. Toda a luz que vem das estrelas e planetas passa através de uma densa camada de ar antes de chegar ao telescópio, o que distorce a imagem que vemos deles. Esse efeito é chamado de "seeing" e se torna mais intenso e incômodo quanto maior for a abertura do telescópio. O seeing afeta principalmente a observação dos planetas e da Lua e quanto maior a ampliação usada, mais os efeitos da turbulência da atmosfera serão perceptíveis.

Numa noite normal e com pouca turbulência, o seeing limitará o limite de ampliação e dificilmente você conseguirá aplicar mais de 250x de aumento. Isso faz com que telescópios de 8 e 10 polegadas (200 mm e 250 mm) não possam ser utilizados em sua plenitude, apesar de permitirem aumentos de 400x e 500x respectivamente. Para que possam ser usados com aumentos maiores normalmente são levados para o alto das montanhas, onde os efeitos da atmosfera são menores.

Tripés e montagens

Como se sabe, a Terra completa uma revolução a cada 24 horas o que faz com que os planetas e estrelas se movam no céu. Naturalmente, esse movimento é apenas aparente, mas cria um problema para o observador. Se olharmos para qualquer planeta sem o uso de instrumentos, ele aparentará estar na mesma posição do céu por muitos minutos. Mas se olharmos através de um telescópio o movimento da Terra será perfeitamente perceptível e em poucos segundos nosso planeta atravessará todo o campo de visão da ocular e sumirá, nos obrigando a corrigir o apontamento do instrumento a cada instante. Quanto maior o aumento, mais rápido o objeto cruza a ocular e em alguns casos nem dá tempo de fazer as observações!

Para facilitar o rastreio do objeto no céu, os telescópios são vendidos junto a uma montagem, disponível em dois tipos básicos: a montagem altazimutal ou "altaz" e a montagem equatorial.

Na montagem altazimutal o telescópio se movimenta sobre dois eixos, que permitem apontar o instrumento para cima e para baixo ou para os lados. A montagem equatorial, por sua vez, é alinhada com o eixo de rotação da Terra e quando corretamente calibrada permite seguir o objeto com o movimento de apenas um dos eixos.

Montagem Altazimual

Montagem Altazimual

A montagem altazimutal é preferida quando o telescópio é usado para observações terrestres, uma vez que permite apontar facilmente o instrumento para qualquer um dos lados, facilitando seguir pessoas, barcos, animais, etc. Quando acoplada a um telescópio refrator torna-se um excelente equipamento para observação de paisagens distantes.

A montagem Dobsoniana é uma variação da montagem altazimutal e faz grande sucesso entre os fabricantes amadores de telescópios (ATMs), pois suporta facilmente grandes instrumentos com mais de 250 milímetros de abertura. Neste tipo de montagem o astrônomo segue o planeta ou objeto guiando o tubo do telescópio, que fica preso à montagem, que desliza em qualquer direção.

Montagem Equatorial

Montagem Equatorial

As montagens equatoriais são as mais utilizadas pelos astrônomos e sua principal vantagem está em poder rastrear os objetos no céu. Antes de ser usada ela deve ser alinhada com o eixo celeste e uma vez calibrada permite que o objeto seja seguido com apenas um movimento de eixo, mantendo-o constante no centro da ocular. Devido a essa característica, muitas montagens equatoriais permitem o acoplamento de um motor elétrico que mantém o eixo girando na mesma velocidade da Terra. Assim, o objeto seguido permanecerá sempre fixo no campo de visão, automaticamente.

Por permitir o rastreio do objeto, a montagem equatorial é a mais utilizada pelos astrofotógrafos, que necessitam de longos períodos de exposição dos objetos, que precisam se manter imóveis durante a foto.

Tremidas

De nada adianta você ter um belo telescópio e uma excelente montagem se esta não estiver firmemente apoiada. Se o apoio não for estável você praticamente não conseguirá manter o objeto imóvel e até mesmo pequenos sopros de brisa leve farão todo o Sistema Solar sacudir frente aos seus olhos!

Telescópio Refrator

Esse tipo de telescópio é composto de um tubo longo, onde na extremidade principal está montado um conjunto de lentes, chamado objetiva. Como dito, esse tubo tem aproximadamente 1 metro de comprimento por 100 milímetros de diâmetro, e se mantém apoiado sobre uma das montagens descritas acima. Os modernos telescópios refratores produzem excelentes imagens que possibilitam cenas mais nítidas e contrastadas e são os preferidos pelos astrônomos para observações da Lua e dos planetas. Os refratores também sofrem menos os efeitos atmosféricos que atingem os refletores, como por exemplo, a condensação do ar no interior do instrumento. Eles também exigem menos manutenção que os refletores.

Telescópio Refrator

Mas nem tudo são flores e toda essa qualidade tem seu preço, tornando os telescópios refratores muito mais caros que os refletores se considerarmos a mesma abertura.

Refratores de grande porte podem custar vários milhares de dólares e mesmo assim ainda serão considerados de pequeno porte. Grandes objetos como constelações e galáxias se tornam difíceis de serem observados, uma vez que a grande distância focal do instrumento restringe o campo de visão celeste. Além disso, o tubo alongado desse tipo de instrumento exige uma montagem extremamente rígida, caso contrário as observações poderão ser tremidas, como explicado acima.

Telescópio Refletor

Ao contrário do modelo refrator, os refletores usam um espelho ao invés de lente como elemento principal. O modelo mais comum é o popularmente conhecido "Newtoniano" que utiliza um espelho côncavo montado no fundo do tubo do telescópio. Outro espelho, chamado "secundário" direciona a luz captada pelo espelho principal em direção à ocular. Esses modelos permitem grandes aberturas e quando bem construídos produzem excelentes imagens.

Telescópio Refletor

Grandes telescópios refletores apoiados sobre montagens dobsonianas são muito populares entre os observadores. Modelos entre 114 mm e 200 mm são bastante comuns, tanto em montagens equatoriais como dobsonianas e são uma das melhores opções de escolha para os iniciantes.

Manutenção

Diferente dos telescópios refratores, os newtonianos requerem manutenção eventual em seu conjunto de espelhos e visam um alinhamento do eixo ótico. Esse processo se chama colimação e leva alguns minutos para ser concluído e normalmente está descrito nos manuais que acompanham os instrumentos. Telescópios de boa procedência permanecem muito tempo sem precisar de colimação, mas vez por outra o alinhamento deve ser checado.

O tubo dos telescópios refletores é normalmente aberto, deixando o espelho principal exposto ao ar e umidade. Como recomendação proteja sempre o telescópio com um saco plástico quando não estiver em uso, pois a poeira poderá se acumular na superfície do espelho, que precisará ser limpo com cuidado.

Fotos: No topo, detalhe da abertura de um dos telescópios usados no Apolo11, com abertura de 127mm. Aplicando-se a fórmula, o aumento máximo é 254 vezes (127mm x 2), mas na prática pode se chegar a uma ampliação maior devido à boa qualidade do instrumento. Na seqüência vemos os diversos tipos de montagens usadas nos telescópios e acima dois modelos muito comuns de instrumentos> O refratores que usa lentes e o refletor que usa espelhos.

Saiba tudo o que você pode ver com um telescópio ou luneta

Uma das primeiras perguntas feitas pelos candidatos à compra de um telescópio é sobre o que será possível ver através da ocular. Perguntas como "o que vai dar pra ver?" ou "dá pra ver Júpiter e as estrelas?" são as mais comuns e deixam qualquer principiante completamente perdido ante a compra de um instrumento.

Imagem feita a partir de um telescópio

Antes de qualquer coisa é muito importante saber que nenhum telescópio existente é capaz de fornecer as mesmas imagens que acompanham as embalagens dos produtos ou aquelas cenas deslumbrante vistas na internet ou na televisão. Nem mesmo o telescópio espacial Hubble é capaz de obter paisagens tão impressionantes. Essas imagens são fruto de longas exposições fotográficas onde uma mesma área do espaço é registrada por horas, dias e até mesmo meses, produzindo diversas cenas que são depois somadas, ou como se diz no linguajar astronômico, "empilhadas".

Outro detalhe que precisa ser lembrado é que quando observadas através da ocular, ao contrário do que se pensa as estrelas não aumentam de tamanho. Elas apenas brilham mais. Isso faz com que as estrelas antes invisíveis tenham seu brilho aumentado e possam ser vistas e estudadas. Os planetas, ao contrário das estrelas, parecem maiores e suas formas arredondadas podem ser percebidas com maior facilidade.

Como o telescópio amplifica o brilho dos objetos, aglomerados estelares e nebulosas de gás completamente imperceptíveis aos olhos humanos passam a serem visíveis, podendo revelar detalhes muito interessantes de serem analisados.

Poder de Resolução

Antes de esclarecer o que pode ser visto através do telescópio, é importante conhecer um parâmetro muito importante sobre o aparelho visual humano chamado Poder de Resolução.

Experimente desenhar dois pequenos pontos, bem próximos um do outro, em uma folha de papel. Pregue esta folha na parede e afaste-se dela até não conseguir mais distinguir um ponto do outro. Quando isso acontecer a distância angular entre os dois pontos será de aproximadamente 2 minutos de arco, ou 2'. Esse valor é típico da vista humana normal e significa que dois objetos com distância angular inferior a esta serão percebidos pelos olhos como um objeto único. Algumas pessoas com excelente visão conseguem distinguir pontos mais próximos, de aproximadamente 30 segundos de arco (quatro vezes melhor), mas são exceções.

Estrelas Duplas

No céu existem milhares de estrelas visualmente muito próximas entre si e devido à limitação explicada acima elas se parecem como um único ponto. O exemplo mais famoso é a estrela Alpha Centauri, localizada a leste do Cruzeiro do Sul.

Estrelas duplas

Vista sem o uso de instrumentos Alpha Centauri é um ponto bastante brilhante, mas quando observada através de um pequeno telescópio percebe-se claramente que não se trata de uma única estrela, mas sim de duas, Alpha Centauri A e B. Se olharmos este mesmo conjunto de duas estrelas com um telescópio dotado de uma objetiva maior, veremos que existe outra estrela próxima a ele, Alpha Centauri C, também chamada de Próxima Centauri.

Com deu pra perceber, o poder de separação de um telescópio cresce proporcionalmente com o diâmetro da objetiva principal. Uma objetiva de 100 milímetros (10 cm) de diâmetro tem um poder de resolução de 1 segundo de arco (1”), ou seja, é 120 vezes melhor que nossa vista. Em outras palavras, com um telescópio de 100 milímetros de abertura é possível "resolver" uma separação angular de apenas 1 segundo de arco, 120 vezes mais "colados" do que aqueles que conseguimos ver com nossos olhos.

Resumindo, um telescópio melhora a capacidade do olho em resolver sistemas muito próximos, permitindo observar detalhes completamente impossíveis de serem vistos sem o uso de instrumentos, separando objetos que à vista desarmada pareceriam um único ponto.

Magnitude Visual

Outro detalhe importante que o principiante deve conhecer se refere ao brilho dos objetos, medido em magnitudes. Nesse sistema, inventado pelo grego Hiparco no ano de 129 a.C, quanto maior a magnitude de uma estrela, menor será o seu brilho. Assim, estrelas com magnitudes negativas serão mais brilhantes do que aquelas com magnitude positiva. Veja alguns exemplos:

Brilho da Lua Cheia: magnitude de -13
Estrela Sirius, a mais brilhante do céu: Magnitude -1.45
Limite da visão humana: +6
Binóculo de 50 mm: +9
Plutão: +15.1
Limite dos maiores telescópios terrestres: +28
Limite do telescópio Hubble: +30

Pela tabela acima é fácil constatar que nenhum objeto com magnitude superior a +6 pode ser visto pelo olho humano, mas um pequeno binóculo de 50 milímetros já permite ampliar este limite para 9 magnitudes, um brilho 15 vezes mais fraco!

O que dá pra ver?

Como explicado, o que realmente dá poder a um telescópio é sua "abertura". No caso dos telescópios refratores, aqueles formados por lentes, essa "abertura" é o próprio diâmetro da lente que fica à frente do instrumento, chamada de objetiva. Nos telescópios refletores essa "abertura" é dada pelo diâmetro do espelho principal. Quanto maior a abertura, mais luz se pode captar, além de permitir maiores aumentos.

E não se esqueça: o aumento máximo permitido por um telescópio é o dobro da sua abertura. Assim, um telescópio de 60 milímetros de abertura proporciona no máximo 120 vezes de aumento, enquanto um com 200 milímetros permite aumentos de até 400 vezes. Isso significa que telescópios com 60 milímetros de abertura não conseguem aumentar 700 vezes!

Exemplos Práticos

A tabela abaixo mostra o que se pode ver com diversos tipos de telescópios, levando-se em conta que os mesmos estejam instalados em local escuro e longe de fontes de poluição luminosa e atmosférica.

Telescópio Refrator de 50 milímetrosTelescópio Refrator de 50 milímetros
Com este simples telescópio já é possível observar estrelas de 9 magnitudes, além de permitir os primeiros estudos topográficos da Lua. Também é possível fazer observações das manchas solares e de suas fáculas (material luminoso que se observa nas imediações da mancha), desde que o instrumento esteja equipado com filtro ou anteparo de observação solar.

A observação de Júpiter também se mostra interessante. É possível perceber o achatamento polar do planeta e ver com facilidade seus quatro principais satélites. A observação de Vênus permite o estudo de suas fases e apontando as lentes para Saturno é possível perceber seus anéis, mas forma minúscula. Marte é uma pequena bolinha, quase sem definição.

Um instrumento de 50 milímetros permite distinguir estrelas duplas com separação de 5 segundos e contemplar alguns aglomerados como as Plêiades, Híades e também a nebulosa de Órion M42.

Telescópio Refletor de 60 milímetros
Este é um típico instrumento popular e apesar da pequena diferença com relação ao modelo anterior, com ele já é possível ver estrelas de 10 magnitudes e resolver sistemas duplos com separação de 3 segundos de arco. Apontando a objetiva para Saturno já é possível ver Titã, seu principal satélite, embora o planeta apareça bem pequeno e se assemelhe a uma micro miniatura.

A Lua se mostra ligeiramente mais interessante e suas crateras apresentam mais detalhes do que vistas em um instrumento de 50 milímetros. Detalhes das sombras lunares já chamam a atenção e os relevos das bordas do disco lunar são claramente notados. Não existe muita diferença ao se observar Marte ou Vênus e ambos se parecem como bolinhas arredondadas. Mesmo assim já é possível perceber as fases venusianas.


Telescópio Refrator de 75 milímetrosTelescópio Refrator de 75 milímetros
Um interessante instrumento de baixo custo, mas bem superior aos modelos de 50 e 60 milímetros. Com ele ja dá para ver estrelas de 11 magnitudes e separar objetos distanciados por até 2 segundos de arco. Em Marte as calotas polares já são distinguidas como um pequeno ponto branco sobre a borda avermelhada do planeta e já é possível reconhecer a região de Syrtis Magna. Em um telescópio de 75 milímetros Marte ainda se parece com uma pequena bolinha avermelhada.

Júpiter começa a revelar alguns detalhes impossíveis de serem visto com telescópios menores e o ligeiro aumento na objetiva já permite que o observador perceba as faixas equatoriais do gigante gasoso. Em Saturno os detalhes também começam a despontar e a divisão de Cassini em seus anéis também começa a ser vista, se bem que de forma bem tênue. Os quatro satélites, Titã, Rhéa, Japeto e Thetis finalmente podem ser observados com facilidade e são vistos como pequenos pontos luminosos.


Telescópio Refrator de 95 milímetros
Superior ao modelo anterior permite observar objetos celestes de 11.5 magnitudes e desdobrar estrelas com 1.5 segundo de arco de separação. O instrumento também capacita o astrônomo a detalhar melhor os discos planetários e as sombras das manchas solares. Devido ao maior diâmetro da objetiva os aglomerados estelares se tornam mais nítidos e mais fáceis de serem contemplados.

Telescópio Refrator de 110 milímetros ou Refletor de 115 milímetrosTelescópio Refrator de 110 milímetros ou Refletor de 115 milímetrosTelescópios ideais para os amadores que já adquiriam experiência com modelos menores. Permitem ver objetos de magnitude 12 e separar sistemas estelares com 1.5 segundo de distância entre suas componentes. Quando em oposição favorável permite até mesmo vislumbrar algumas particularidades topográficas de Marte.

Na Lua, as ranhuras da superfície passam a ser perceptíveis. Em Júpiter, os detalhes das faixas se tornam mais claros e em Saturno é possível reconhecer seu anel sombrio. O aumento da objetiva em relação ao modelo de 95 milímetros revela mais um satélite ao redor de Saturno: Dionéia.

A Nebulosa de Lyra, muito apagada nos outros instrumentos, ganha vida neste instrumento.

Telescópio Refletor de 150 milímetrosTelescópio Refletor de 150 milímetros
Objetos muito escuros, da ordem de 13 magnitudes passam a ser observáveis. Permite também a identificação de algumas manchas aleatórias nos discos planetários de Mercúrio e Vênus, além do estudo das variações de tonalidades e dos aspectos lunares.

Em Marte é possível perceber as variações que ocorrem nas calotas polares enquanto as faixas de Júpiter são vistas com bastante nitidez. Um telescópio desse porte também permite a separação de estrelas com menos de 0.8 segundos e os aglomerados mais difíceis de serem vistos já apresentam suas feições típicas.

Utilizando uma ocular de aumento médio alguns detalhes de Urano começam a ser visíveis, embora o planeta seja apenas um difuso disco planetário. Isso ajuda a distingui-lo entre o fundo estelar mas nenhum de seus satélites ainda pode ser visto.

Telescópio Refletor de 200 milímetrosTelescópio Refletor de 200 milímetros
Um excelente instrumento para o amador sério que deseja ampliar seus conhecimentos. O grande diâmetro do espelho capacita o astrônomo a ver os objetos do céu profundo, conhecidos por DSO (Deep Sky objects) com mais de 13.5 magnitudes. Astrofotografias de alta resolução dos planetas e satélites já fornecem resultados de grande qualidade técnica.

Telescópio Refletor de 300 milímetros
Sonho de consumo da grande maioria dos astrônomos amadores, um refletor de 300 milímetros permite com folga as observações dos satélites de Urano e de Tritão, satélite de Netuno, além de poder desdobrar sistemas de 0.4 segundos de arco. Seu grande tamanho permite que objetos de 14 magnitudes possam ser vistos. Mesmo assim, qualquer tentativa de observar Plutão será fadada ao fracasso, uma vez que o planeta-anão tem brilho de apenas 15.1 magnitudes.

Astrofotografias digitais e registros espectrográficos feitos com um telescópio de 300 milímetros dotado de acompanhamento automático permitem o estudo sério de inúmeros detalhes das superfícies e atmosferas dos planetas.

Artes: No topo da página a Nebulosa Helix, registrada pelo telescópio Espacial Hubble e pelo telescópio do Observatório Interameircano de Cerro Tololo, no Chile. Fotos desse tipo são feitas com diversos dias de captação de luz. Crédito: NASA/ESA. Na sequência vemos a estrela Rigil Kent, a Alfa do Centauro. Com um telescópio é possível ver que não se trata de apenas um estrela, mas de um sistema estelar triplo. Por últimos vemos alguns tipos de telescópios encontrados no mercado.


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